LuluZOO

07 julho 2006

Eu descobri a verdade sobre o Zoo?

Numa aula que eu tive semana passada sobre consciência, o professor comentou sobre pacientes com o cérebro dividido. Algumas pessoas que sofrem de epilepsia grave têm que fazer uma cirurgia na qual o cérebro é divido ao meio, como se fosse uma laranja, porque assim, se um lado do cérebro tem um ataque epiléptico, o ataque não passa para o outro lado. O problema é que, quando o cérebro é dividido ao meio, uma metade começa a pensar independentemente da outra. Com estes pacientes acontecem coisas curiosas como uma mão pegar um vestido do armário e a outra mão pegar outro, porque uma metade do cérebro quer colocar uma roupa e a outra metade quer colocar outra. É verdade, eu vi o vídeo de uma mulher com cérebro dividido. Ela está indo ao armário e pega dois vestidos diferentes, um com cada mão. Ela diz (quem fala é o lado esquerdo do cérebro) que a mão esquerda dela (controlada pelo lado direito do cérebro) "obrigou-a" a colocar aquele vestido.

Uma coisa mais sinistra que acontece com os pacientes com o cérebro dividido é que o lado esquerdo do cérebro não sabe o que o lado direito está tramando, então o lado esquerdo inventa um motivo para as coisas que a mão esquerda (controlada pelo lado direito) faz. O motivo vem depois que a ação acontece, mas o lado esquerdo do cérebro acha que o motivo veio antes e a ação veio depois. Por exemplo, um paciente olha para o centro de uma tela e o pesquisador diz ao paciente para seguir uma instrução que vai aparecer escrita na tela em breve. Do lado esquerdo da tela aparece a palavra "bater". Como a informação do lado esquerdo da tela vai para o lado direito do cérebro e o lado direito do cérebro controla a mão esquerda, o paciente dá um soco com a mão esquerda. O lado esquerdo do cérebro não viu palavra nenhuma e nem entendeu por que a mão esquerda deu um soco. Quando o pesquisador pergunta ao paciente que palavra estava escrita na tela, o lado esquerdo do cérebro, que controla a fala e não viu nada, responde: "socar". A palavra era "bater", mas o lado esquerdo inventa que era "socar", porque viu a mão esquerda dando um soco. Mas o lado esquerdo não sabe que a explicação é inventada, ele acha que a palavra era "socar" mesmo.

Daí o professor disse que isso também acontece em pessoas saudáveis. Ele acha que a maioria das nossas ações é subconsciente: você faz primeiro e só depois arruma uma razão para explicar o você fez, uma explicação que pode não ser a certa. Você acha que está lendo esta mensagem porque estava com vontade de entrar no blog do Zoo? Que boba você é. Na verdade o seu subconsciente abriu a página e você inventou que estava com vontade de ler o blog. E quando você for digitar um comentário, lembre-se que as palavras podem estar vindo do seu subconsciente. Depois que escreve, você lê o que escreveu, sua mente consciente concorda com as palavras e finge que as criou.

Vejam só como esta informação é reveladora. Hoje eu estava indo à USP fazer uma prova sobre esta matéria e comecei a estudar mentalmente, fingindo que estava ensinando tudo à Flávia. Daí eu percebi que aquilo era muito curioso. Por que eu iria imaginar uma conversa com a Flávia para estudar? Por que a Flávia? Por que eu tenho uma "Flávia imaginária"? Daí eu comecei a pensar que talvez a Flávia seja só a minha amiga imaginária, criada por mim para ter com quem estudar mentalmente, e o meu subconsciente estava tentando me dizer justamente isso. E em seguida eu me imaginei escrevendo no blog sobre a minha descoberta de que a Flávia é a minha amiga imaginária e todos estavam fingindo que ela era real só para não me deixar chateada (que nem o Hurley e o Dave em Lost). Mas aí eu pensei que aquilo também era curioso. Por que eu iria me imaginar escrevendo no blog para que o Zoo lesse? Será que o Zoo também não é apenas um fruto da minha imaginação? Será que não sou eu que estou enviando mensagens com fotos de jogadores de futebol todos os dias?

5 Comentários:

  • Às 7/7/06 23:51, Blogger Lupa disse…

    definitivamente este post explica muita coisa , chega a ser reconfortante saber que na verdade a Flavia é fruto de uma mente criativa , por isso que eu amo a Zoo , Alguem está procurando uma definição para Cosmopolitan?? De Ciencia a futebol tudo o que vc precisa é da Zoo , vou até postar uma receita hoje

     
  • Às 8/7/06 01:15, Blogger Flavia disse…

    Carol, a sua imaginação é muito foda mesmo! Vc conseguiu criar o ser humano mais perfeito desse planeta! Parabéns! :)
    hahahha

    Mas, gente, eu adorei esse post.
    Eu não sabia nem que dividir o cérebro ao meio era possível. Pensei que certas funções fossem interligadas e que em alguns aspectos um lado dependesse do outro.
    Revelador!
    Conte mais, Carik. Me ensine tudo... hhhaha
    :))

     
  • Às 8/7/06 01:17, Blogger Flavia disse…

    Ah! Eu comprei a Scientific American e comecei a ler o texto do seu orientador. Está muito interessante, viu? Vou terminar de ler e comento.

     
  • Às 8/7/06 02:13, Blogger Mirrorball disse…

    Algumas funções dependem dos dois lados do cérebro, mas as pessoas com o cérebro dividido acabam se virando de algum jeito. Elas aprendem por exemplo a dizer o que vão fazer em voz alta, assim as duas metades podem se sincronizar. É muito estranho mesmo. Mais estranho do que você ser um fruto da minha imaginação.

     
  • Às 9/7/06 15:34, Blogger nobody girl disse…

    Gente, que doido isso, adorei.
    Mas a melhor parte foi o último parágrafo, haha, não tinha aquela história de a Carol estar numa comunidade "Sexo com estranhos?". Pois bem, aí está a explicação!! Seu outro lado do cérebro (?) é depravado!

     

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