Eu tenho que me redimir por um dia ter falado tão mal do Senhor dos Anéis. Este livro é simplesmente brilhante em comparação com certos
best sellers atuais, como o Código da Vinci. Só critiquei tanto o livro porque hoje em dia todo mundo é fã do Tolkien e é ridículo que só agora as pessoas começaram a gostar de algo lançado nos anos 50. É o que acontece quando as pessoas só lêem o que está na moda, ficam 50 anos atrasadas.
Na verdade, eu acho este livro muito chato. Eu pouco me interesso em saber que Jsdfkiuferm, filho de Slfiwerfe, matou Ldkjwrwdf na cidade de Lgweerkl, porque o rei Nfsklejrfwer tinha a espada de Klkjusfksujff... Não agüento este tipo de narrativa emocionante com nomes estranhos e genealogias. Além disso, os personagens não têm motivações realistas ("eu sou mal, eu quero o anel para dominar o mundo") e o enredo é pobre: eles são perseguidos, alguém é seduzido pelo anel, tem uma batalha, eles são novamente perseguidos, outra pessoa é seduzida pelo anel, outra batalha etc. Mas também é verdade que a obra teve uma importância enorme para a fantasia literária e o Tolkien teve o maior trabalho em criar um contexto histórico ultra complexo. A questão é que eu não estou nem aí para contextos históricos ultra complexos. Se a história não é boa e/ou os personagens não são interessantes, todo o resto não serve para nada. Mas tem gente que se impressiona com o fato de o autor ter inventado uma linguagem inteira e não posso dizer que não teve o seu mérito. O livro também não subestima a minha inteligência, aliás superestima a minha capacidade de prestar atenção a coisas monótonas.
Já o Código da Vinci não tem nenhum mérito, exceto talvez o de ser um livro curto. Quanto ao contexto histórico, dizem que o Dan Brown cometeu todos os erros possíveis. Eu não sei dizer quais são e não me importo com eles. Só digo que a história é uma droga e os personagens parecem retardados. Qualquer um se sente um gênio em comparação, porque adivinha todos os enigmas muito antes dos personagens. O cara principal, que é historiador, não consegue reconhecer um texto escrito de trás para frente ao estilo Leonardo da Vinci. Ele fica pensando se aquilo não seria hebraico, aramaico. O leitor, por outro lado, já sabe que é um texto escrito de trás para frente só de bater o olho no papel. Impossível não reparar nos pingos nos is. A mulher, que é criptógrafa, diz que a senha que o avô criou para a conta dele no banco é ótima e super segura, logo após quebrá-la na primeira tentativa. O vilão é muito óbvio. Como é então que as pessoas amam tanto este livro e o autor está enchendo os bolsos de dinheiro?
Se este livro não estivesse fazendo tanto sucesso, eu provavelmente diria que o autor tem algum talento, é só se esforçar um pouco mais na pesquisa e desenvolvimento dos personagens. Mas sabendo que todo mundo comprou uma cópia do Código da Vinci enquanto existem tantos outros livros geniais nas prateleiras, eu só posso me irritar! É como se você jogasse uma partida de mico e até se divertisse, mas logo em seguida mico entra na moda e todo mundo diz que é o jogo mais brilhante e intelectual que existe.
Só me consola o fato de a J. K. Rowling ter enchido os bolsos de dinheiro mais do que o Dan Brown. Eu sou fã do Harry Potter, porque não me dá sono e os personagens são legais. É bem verdade que às vezes ela exagera nas caricaturas e o enredo muitas vezes não tem pé nem cabeça, mas ela tem muitos momentos de inspiração. Alguém acha que esta passagem não é inspirada?
And Harry saw very clearly as he sat there under the hot sun how people who cared about him had stood in front of him one by one, his mother, his father, his godfather, and finally Dumbledore, all determined to protect him; but now that was over. He could not let anybody else stand between him and Voldemort; he must abandon for ever the illusion he ought to have lost at the age of one: that the shelter of a parent's arms meant that nothing could hurt him.