Na verdade eu adoro animais
Hoje (na verdade, ontem) no jantar a minha mãe me contou que ouviu no rádio uma veterinária pedindo às pessoas que não comprassem cosméticos testados em animais. Ela disse que as indústrias maltratam os animais, pingando os cosméticos nos olhos deles para ver se causam cegueira, por exemplo. A minha mãe disse que jamais comprará novamente um cosmético testado em animais. Eu perguntei à ela o que ela pensaria se as indústrias não fizessem os testes, colocassem um produto não-testado no mercado e as pessoas que o usassem ficassem cegas. Ela me respondeu que a veterinária disse que é possível fazer os mesmos testes usando culturas de células. O problema é que as culturas de células são caras e as indústrias não estão dispostas a investir o dinheiro necessário, preferem fazer pesquisas em animais. Eu questionei o que a veterinária disse, porque pelo menos em pesquisa científica, usar animais ou cultura de células é muito diferente. A minha mãe disse que só pode ser verdade, afinal a mulher era veterinária. E daí? Ela por acaso trabalha em testes de cosméticos para saber se é possível ou não usar cultura de células? Não, ela trabalha em uma associação de proteção aos animais. E o fato de ela ser veterinária não significa coisa alguma. Veterinários também podem ter opiniões não muito bem informadas. Aliás as indústrias farmacêuticas devem ter um batalhão de veterinários trabalhando para eles, todos a favor de testes com animais.
Parece que a minha mãe e muitas outras pessoas só conhecem um tipo de argumento: o argumento de autoridade. Uma coisa é mais ou menos verdadeira dependendo de quem a disse. Se é um professor de universidade falando ao vivo na Globo, então certamente é a verdade mais verdadeira do universo. Se é o vizinho que não completou o segundo grau, então provavelmente está tudo errado. Os argumentos que as pessoas usam para sustentar suas opiniões são totalmente irrelevantes. Afinal, minha mãe me perguntou, eu achava que a veterinária era mentirosa?
Não importa se a veterinária é mentirosa ou não. Se Hitler tivesse dito que 2 + 2 = 4 e a Madre Teresa tivesse dito que 2 + 2 = 5, eu teria que concordar com Hitler. Não importa quem disse e sim o que foi dito. Os argumentos é que podem ser verdadeiros ou falsos. Mesmo veterinárias honestas podem se enganar, desconhecer um determinado argumento, dar valores diferentes a diferentes coisas.
Eu existo, de acordo com o Professor Deaver, da Universidade de Minnesota. Não! Eu penso, logo existo.
Parece que a minha mãe e muitas outras pessoas só conhecem um tipo de argumento: o argumento de autoridade. Uma coisa é mais ou menos verdadeira dependendo de quem a disse. Se é um professor de universidade falando ao vivo na Globo, então certamente é a verdade mais verdadeira do universo. Se é o vizinho que não completou o segundo grau, então provavelmente está tudo errado. Os argumentos que as pessoas usam para sustentar suas opiniões são totalmente irrelevantes. Afinal, minha mãe me perguntou, eu achava que a veterinária era mentirosa?
Não importa se a veterinária é mentirosa ou não. Se Hitler tivesse dito que 2 + 2 = 4 e a Madre Teresa tivesse dito que 2 + 2 = 5, eu teria que concordar com Hitler. Não importa quem disse e sim o que foi dito. Os argumentos é que podem ser verdadeiros ou falsos. Mesmo veterinárias honestas podem se enganar, desconhecer um determinado argumento, dar valores diferentes a diferentes coisas.
Eu existo, de acordo com o Professor Deaver, da Universidade de Minnesota. Não! Eu penso, logo existo.

4 Comentários:
Às 6/5/06 01:34,
Bikinikill disse…
" Penso, logo existo " foi Descartes.
Existe uma cultura muito grande no país, sobre isso, se a pessoa é formada na USP, é senhora absoluta de toda razão do planeta. O pior , é voce ouvir isso: amiga da minha tia trabalha no hospital das clinicas e ela falou tomar chá verde faz mal para estomago...
Sobre os testes dos animais, pensando emocionalmente, é tão cruel ver um ratinho branco todo estragado por testes, acho que deveria mudar isso.É caro, mas penso, e eu com isso eu pago caro assim mesmo, então não importa os meios, eu não quero que meu olho caia e nem que o ratinho tenha a orelha derretida...
Às 6/5/06 01:59,
Mirrorball disse…
Acontece que não daria para saber muitas coisas que se sabe hoje em dia sem experiências com animais. Nenhum remédio é lançado antes de ser testado em animais, por exemplo. E usar cultura de células é totalmente diferente de usar animais, a veterinária viajou. Também tenho dó dos animais e eu mesma não faço este tipo de experimento.
Às 6/5/06 17:53,
Mirrorball disse…
Mas comigo é diferente, né? Eu sou mesmo a senhora absoluta de toda a razão do planeta.
Hoje a minha mãe já soltou outra, dizendo que o dono de uma loja da Bélgica disse que o chocolate dele era o melhor do mundo, logo o chocolate dele é o melhor do mundo. Pode uma coisa dessas?
Às 8/5/06 11:01,
nobody girl disse…
Concordo, é bem lugar comum as pessoas acharem que só porque o cara tem algum título pode afirmar qualquer coisa como fosse A verdade. Não existe verdade. E ponto. Por sinal, essa é a única verdade que eu acredito! LOL
Ah, e ter título em qualquer melhor universidade do mundo em algo não significa nada. Tenho uma professora que é uma anta, e tem doutorado em Harvard.
Sobre os animais, é difícil senão impossível saber exatamente quem testa ou já testou qualquer coisa em animais. Lembrei do filme "O Jardineiro fiel" e dessas notícias sobre os médicos nazistas, e não desejo que isso seja feito nem com humanos nem animais...
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