E o que é sanidade, afinal?
Conheci há alguns dias um weblog que achei curioso e interessante. Quem escreve é um catalão chamado Xavi L. que, juntamente com seu "garrote", conta seus dias e pensamentos sobre coisas e sentimentos em geral. A diferença é que ele sofre de alguns distúrbios psicológicos, como a esquizofrenia, e está internado em uma instituição espanhola há cerca de 13 anos. O blog, veja só, faz parte de um tratamento prescrito pelo "Dotorcito V. L.", como ele o chama.
Desde dezembro o blog está hospedado no portal do jornal "El País", e lá se encontram diversos textos, fotos e vídeos que demonstram a rotina do músico naquele hospital. São todos interessantíssimos, e apesar de eu ser uma negação no espanhol, dá para enteder tranquilamente. Até as respostas aos comentários de leitores valem à pena, Xavi é engraçadíssimo.
Entre os textos, destaco um um interessantíssimo que já tinha gostado, que Carla Rodrigues o traduz em sua coluna de hoje, do "no mínimo".
Carla afirma algo que sempre acreditei, o quanto é pequena a linha entre a lucidez e a chamada loucura, e como é extensa a lista de pessoas que fizeram a história ora consideradas como loucas, ora gênios. O tema é complicadíssimo e não me atrevo a falar uma só palavra temendo acabar com todo o "movimento anti-manicomial" do Brasil ou coisa do tipo. Mas é algo que certamente me fascina e assusta, o quanto desconhecemos a nós mesmos... Isso sempre me lembra do livro "O Alienista", de Machado de Assis. Somos nós ou eles os loucos?
Desde dezembro o blog está hospedado no portal do jornal "El País", e lá se encontram diversos textos, fotos e vídeos que demonstram a rotina do músico naquele hospital. São todos interessantíssimos, e apesar de eu ser uma negação no espanhol, dá para enteder tranquilamente. Até as respostas aos comentários de leitores valem à pena, Xavi é engraçadíssimo.
Entre os textos, destaco um um interessantíssimo que já tinha gostado, que Carla Rodrigues o traduz em sua coluna de hoje, do "no mínimo".
No ângulo noroeste do meu quarto, na diagonal da minha cama, há uma câmera de vigilância da marca Panasonic. É negra e persistente como o arrependimento, sigilosa e intrometida como uma sogra que suspeita de algo, tosca como uma elefanta. (Hoje, queridos amigos, estou para metáforas). Esta câmera de vídeo está plantada com três pés no marco da porta e serve, em tese, para que as enfermeiras, ou os plantonistas, saibam sempre, a cada minuto, o que estou fazendo quando não podem me ver com os próprios olhos.
Carla afirma algo que sempre acreditei, o quanto é pequena a linha entre a lucidez e a chamada loucura, e como é extensa a lista de pessoas que fizeram a história ora consideradas como loucas, ora gênios. O tema é complicadíssimo e não me atrevo a falar uma só palavra temendo acabar com todo o "movimento anti-manicomial" do Brasil ou coisa do tipo. Mas é algo que certamente me fascina e assusta, o quanto desconhecemos a nós mesmos... Isso sempre me lembra do livro "O Alienista", de Machado de Assis. Somos nós ou eles os loucos?

1 Comentários:
Às 6/2/07 23:12,
Flavia disse…
Eu sempre achei que, na verdade, de perto, todos somos loucos.
Sei que eu sou.
Agora acho mais ainda, pq eu encontrei alguém que pensa como eu! :D
"Lo diré claramente y sin preámbulos: si no hubiera sido por la música me habría suicidado en este hospital o en cualquier otro. No; no es una metáfora. Si no fuese por la música (la que compongo, la que escucho, la que pienso) yo no estaría ahora mismo aquí. La música es lo único que comprende mi cabeza en cualquier estado. No importa si estoy depresivo, ansioso, contento, aletargado o zombi. La música es un algodón que emparcha los huecos del silencio, cuando el silencio me aterra. Si me dieran a elegir entre la música y la comida (que es mi otro gran amor) me iría cantando muerto de hambre hasta el fin del mundo."
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