Por que astrologia não funciona (Parte I)
Uma aquariana lê a descrição de sua personalidade segundo a astrologia. Fica tão impressionada com ela que envia uma mensagem ao seu blog, comentando com quais partes do texto ela se identificou (a maioria) e com quais partes ela não concordou (algumas poucas). Termina dizendo que não entende como tem gente que não crê em astrologia. Ela deve ter concluído o seguinte: se os astrológos conseguiram descrevê-la tão bem, obviamente a astrologia funciona.
Vinte pessoas lêem seus mapas astrais. Todas ficam impressionadas, porque a maior parte do texto está correto. Logo a astrologia funciona. Cem pessoas lêem seus mapas astrais. Todas ficam impressionadas, porque a maior parte do texto está correto. Mais evidências de que a astrologia funciona. Agora fica difícil negar que a astrologia funciona, certo?
Isto é um erro. Não podemos concluir nada a partir desses dados. No máximo, temos uma sugestão de que talvez a astrologia funcione. Porém ainda nos resta encontrar boas evidências de que esta teoria está correta, já que os exemplos acima não são boas evidências. Não convenceriam nenhum cientista ou cético. Vou mostrar o porquê com o seguinte exemplo: Maria sempre tem dores de cabeça à tarde. Um dia seu amigo João lhe diz que conseguiu uma erva peruana que dizem ser ótima para dor de cabeça. Ele lhe prepara um chá usando a erva. Quando Maria bebe o chá, sua dor de cabeça passa. Nas tardes seguintes, fica claro que toda vez que ela bebe o chá, a dor de cabeça passa. Quando ela não bebe o chá, a dor de cabeça não vai embora. Logo a erva funciona, não é? Não funciona. Maria tem hipoglicemia, mas não sabe disso, e é a hipoglicemia que faz com que ela tenha dores de cabeça. João põe açúcar no chá, o que faz com que a bebida eleve o nível de glicose no sangue dela de volta ao valor normal. Vejam só: toda vez que Maria toma o chá, sua dor de cabeça passa. Parece incrível, dá certo sempre, e mesmo assim a erva não tem efeito nenhum. É por isso que mil pessoas impressionadas com seus mapas astrais não provam que a astrologia funciona.
Para saber se a erva peruana é boa mesmo para dor de cabeça, devemos estudar dois grupos de pessoas. Não podemos estudar só uma pessoa, porque o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para a outra. As pessoas são diferentes entre si. E temos que dividi-las em dois grupos para que se possa compará-los. Um grupo recebe a erva peruana em cápsulas enquanto o outro grupo recebe cápsulas de gelatina (um placebo). Ninguém sabe se está tomando erva ou placebo. No final, vemos se a erva diminui a dor de cabeça mais do que o placebo. Só as pílulas de gelatina já vão fazer muita gente se sentir melhor, porque as pessoas melhoram simplesmente por estarem fazendo um tratamento (o efeito placebo). E como não temos mais o açúcar no chá, vai ser fácil ver que a erva peruana é uma fraude. (Mas é claro que a Maria não vai acreditar no resultado do experimento, afinal "sempre deu certo para ela".)
E quanto à astrologia? Podemos escolher algumas pessoas, fazer seus mapas astrais certos e comparar o resultado com o de mapas astrais errados. Para fazer os mapas astrais errados, mudamos o texto para que ele afirme justamente o contrário do que foi previsto pela astrologia ou usamos a data de nascimento errada. Se a astrologia funciona realmente, os mapas astrais certos devem ser melhores quando comparados com os mapas astrais errados. Faz sentido? Sempre precisamos de uma comparação para ver se algo tem efeito.
Um pesquisador da Universidade da Califórnia fez um experimento no qual as pessoas tinham que comparar três mapas atrais (um certo e dois errados) e escolher aquele que melhor descrevia a sua personalidade (Carlson, 1985). Só um terço das pessoas escolheu o mapa astral certo, o que indica que a astrologia só funciona por sorte. O mesmo pesquisador fez outro teste no qual as pessoas faziam testes psicológicos de personalidade. Os astrólogos tinham que ler o resultado de três testes (um certo e dois errados) e adivinhar qual era o resultado certo usando a data de nascimento da pessoa. Novamente uma comparação. Os astrólogos também só adivinharam qual era o resultado certo em um terço dos casos. Qualquer pessoa poderia obter o mesmo sucesso que os astrólogos escolhendo um resultado ao acaso, sem saber data de nascimento nenhuma.
Referência
Carlson, Shawn. A double-blind test of astrology. Nature 318, 419 - 425 (05 December 1985).
Vinte pessoas lêem seus mapas astrais. Todas ficam impressionadas, porque a maior parte do texto está correto. Logo a astrologia funciona. Cem pessoas lêem seus mapas astrais. Todas ficam impressionadas, porque a maior parte do texto está correto. Mais evidências de que a astrologia funciona. Agora fica difícil negar que a astrologia funciona, certo?
Isto é um erro. Não podemos concluir nada a partir desses dados. No máximo, temos uma sugestão de que talvez a astrologia funcione. Porém ainda nos resta encontrar boas evidências de que esta teoria está correta, já que os exemplos acima não são boas evidências. Não convenceriam nenhum cientista ou cético. Vou mostrar o porquê com o seguinte exemplo: Maria sempre tem dores de cabeça à tarde. Um dia seu amigo João lhe diz que conseguiu uma erva peruana que dizem ser ótima para dor de cabeça. Ele lhe prepara um chá usando a erva. Quando Maria bebe o chá, sua dor de cabeça passa. Nas tardes seguintes, fica claro que toda vez que ela bebe o chá, a dor de cabeça passa. Quando ela não bebe o chá, a dor de cabeça não vai embora. Logo a erva funciona, não é? Não funciona. Maria tem hipoglicemia, mas não sabe disso, e é a hipoglicemia que faz com que ela tenha dores de cabeça. João põe açúcar no chá, o que faz com que a bebida eleve o nível de glicose no sangue dela de volta ao valor normal. Vejam só: toda vez que Maria toma o chá, sua dor de cabeça passa. Parece incrível, dá certo sempre, e mesmo assim a erva não tem efeito nenhum. É por isso que mil pessoas impressionadas com seus mapas astrais não provam que a astrologia funciona.
Para saber se a erva peruana é boa mesmo para dor de cabeça, devemos estudar dois grupos de pessoas. Não podemos estudar só uma pessoa, porque o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para a outra. As pessoas são diferentes entre si. E temos que dividi-las em dois grupos para que se possa compará-los. Um grupo recebe a erva peruana em cápsulas enquanto o outro grupo recebe cápsulas de gelatina (um placebo). Ninguém sabe se está tomando erva ou placebo. No final, vemos se a erva diminui a dor de cabeça mais do que o placebo. Só as pílulas de gelatina já vão fazer muita gente se sentir melhor, porque as pessoas melhoram simplesmente por estarem fazendo um tratamento (o efeito placebo). E como não temos mais o açúcar no chá, vai ser fácil ver que a erva peruana é uma fraude. (Mas é claro que a Maria não vai acreditar no resultado do experimento, afinal "sempre deu certo para ela".)
E quanto à astrologia? Podemos escolher algumas pessoas, fazer seus mapas astrais certos e comparar o resultado com o de mapas astrais errados. Para fazer os mapas astrais errados, mudamos o texto para que ele afirme justamente o contrário do que foi previsto pela astrologia ou usamos a data de nascimento errada. Se a astrologia funciona realmente, os mapas astrais certos devem ser melhores quando comparados com os mapas astrais errados. Faz sentido? Sempre precisamos de uma comparação para ver se algo tem efeito.
Um pesquisador da Universidade da Califórnia fez um experimento no qual as pessoas tinham que comparar três mapas atrais (um certo e dois errados) e escolher aquele que melhor descrevia a sua personalidade (Carlson, 1985). Só um terço das pessoas escolheu o mapa astral certo, o que indica que a astrologia só funciona por sorte. O mesmo pesquisador fez outro teste no qual as pessoas faziam testes psicológicos de personalidade. Os astrólogos tinham que ler o resultado de três testes (um certo e dois errados) e adivinhar qual era o resultado certo usando a data de nascimento da pessoa. Novamente uma comparação. Os astrólogos também só adivinharam qual era o resultado certo em um terço dos casos. Qualquer pessoa poderia obter o mesmo sucesso que os astrólogos escolhendo um resultado ao acaso, sem saber data de nascimento nenhuma.
Referência
Carlson, Shawn. A double-blind test of astrology. Nature 318, 419 - 425 (05 December 1985).

4 Comentários:
Às 30/8/06 00:54,
Anônimo disse…
Tinha que ser uma CAPRICORNIANA pra tirar todo o romantismo da coisa.
huahuahuahua
Carik, perdi meu usuário e senha.. como faço?
An Cat Dubh
Às 30/8/06 01:55,
Mirrorball disse…
Seu usuário é adragarcia. A senha deve ser aquela... Hihihi!
Às 1/9/06 18:07,
Bikinikill disse…
Para mim 2+2 é igual a 5.
Às 1/9/06 19:15,
Flavia disse…
hahahhaha
concordo com a Dréa! hahhaha
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